Notícias: SEALIVE – Brokerage Event for Industry

Como incentivo a inovações no mercado que garantam uma solução sustentável ao hoje considerado convencional, a União Europeia tem procedido ao financiamento de vários projetos de inovação. Um destes projetos é o SEALIVE (em inglês, Srategies of circular Economy and Advanced bio-based solutions to keep our lands and seas alive from plastics contamination), entre outubro de 2019 e março de 2024. Neste a equipa multidisciplinar desafiou-se a:

  • Desenvolver novas soluções de plástico com bases sustentáveis biológicas e tecnologias de processamento eficiente;
  • Otimizar modelos de gestão sustentáveis e estratégias de design de produto para novas soluções;
  • Implementar estudos pré-normativos para promover a padronização de soluções biodegradáveis;
  • Apoiar o desenvolvimento de quadros europeus e globais de bioplásticos para os decisores políticos;
  • Melhorar tecnologias de triagem de bioplásticos e procedimentos para soluções de fim de vida.

 

A 7 de março, a XZ Consultores esteve presente num evento promovido pelos intervenientes neste projeto, que teve como intuito enquadrar as diferentes partes interessadas no projeto. Foi dada uma visão geral do realizado, assim como uma apresentação dos resultados obtidos. Começando com uma pequena introdução, os bioplásticos são plásticos elaborados a partir de materiais biológicos, que podem apenas bio baseados, biodegradáveis ou ambos. A introdução desta tipologia de matéria prima no mercado tem aumentado nos últimos anos, sendo considerada por alguns uma alternativa viável aos plásticos convencionais.

O projeto deu origem a oito tipologias de produto, embalagens rígidas para alimentos, talheres, embalagens e filmes flexíveis para produtos alimentares congelados, sacos de rede para ostras, filme de cobertura morta para agricultura, e por fim, redes e caixotes para pesca. 

A temática foi abordada de uma forma holística, desde todas as matérias primas utilizadas, aos processos industriais e ao possível encaminhamento a quando do fim de vida. Foram mencionados alguns pontos chave identificados, como os aditivos necessários para a sintetização do produto e a sua origem, os processos a que os produtos são sujeitos e a possibilidade de melhoria de eficiência, e por fim as validações para fim de vida (se os produtos seriam compostáveis, recicláveis ou reutilizáveis).

Uma das questões levantadas foi exatamente o processamento no fim de vida destes produtos, o seu correto encaminhamento e como seriam incorporados nos fluxos atuais. Alguns compostáveis, doméstica ou industrialmente, teriam de ser encaminhados como biorresíduos ou separados na triagem. Existem ainda algumas questões sobre a possibilidade de compostagem de bioplásticos mais robustos, mesmo em compostores industriais.  No caso dos apenas recicláveis, será ainda necessária uma ponderação do melhor sistema para separação e processamento dos materiais. Nestes materiais foi mencionado um problema de reciclagem em escala, e muitos dos produtos atualmente disponíveis não conseguirem comprovar essa possibilidade de reciclagem de acordo com as normas europeias atuais.

Nesta fase de desenvolvimento estiveram envolvidas entidades como a ITENE, a TotalEnergies Corbion, o IPC, a Seabird e a ADBioplastics. Foram feitas algumas comparações com os artigos convencionais, as mais relevantes relacionadas com o custo mais elevado da produção (dobro), assim como um tempo de produção maior nos produtos bio (este último mencionado apenas para os talheres).

Para a análise de implementação industrial, foram envolvidas entidades já presentes no mercado que contribuíram para o desenvolvimento dos procedimentos de produção em massa e testes de viabilidade dos mesmos. A Biop4ack, Sp Berner, CNG, Oben Group e a URBASER atuaram em diferentes tipologias de produto. Numa fase de teste da qualidade do produto, essencial à colocação no mercado, foram realizados testes pela ISOTECH, pelo Grupo Iberconsa, pela CNG e SP Berner. Os resultados obtidos foram, de forma global, bastante positivos, tendo sido detetados alguns pontos de melhoria. Por exemplo, nas redes de pesca os utilizadores reportaram alguma alteração das características ao longo da utilização, como coloração e perda de flexibilidade. Nos sacos elaborados para a pesca de ostra não foram listados nenhuns problemas.

Um dos produtos de bioplástico que estão a ter mais utilização são os sacos de lixo biodegradáveis que podem ser encaminhados com os biorresíduos. 

 

As alternativas apresentadas, assim como outras, estão a entrar no mercado com cada vez mais frequência. Por exemplo, o filme fino para embalamento de alimentos entrará em produção em Portugal ainda este ano. No entanto, apesar de muitos destes produtos apresentaram já a sua certificação (com base na norma EN 13432-1) existem ainda muitas questões sobre estes materiais. Sessões como a realizada pelo projeto SEALIVE são essenciais para esclarecer muitas das dúvidas que surgem com a introdução no mercado de novas alternativas.    

A comunicação e disseminação de informação foi mencionado várias vezes, existem ainda muitas dúvidas sobre a implementação e utilização a grande escala e em diferentes setores.

 

Links úteis:

https://sealive.eu/

https://www.isotech.com.cy/

https://www.akti.org.cy/

 

Marta Caetano,

Consultora da XZ Consultores

 

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